O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) faz sua sexta vista a Pernambuco este ano com dois presidenciáveis a tiracolo. Com alto índice de popularidade no Nordeste, o petista desfilará, desta vez, por três dias no Sertão, na companhia da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), sua preferida à sucessão de 2010, e do deputado federal Ciro Gomes, nome do PSB à Presidência e opção governista para a disputa em São Paulo. A comitiva inclui ainda oito ministros e seis governadores, entre eles Eduardo Campos (PSB-PE). O grupo vai vistoriar as obras da transposição do Rio São Francisco em três Estados. A viagem começa por Minas Gerais, segue pela Bahia e chega, às 17h desta quarta-feira (14), a Pernambuco. Serão visitados canteiros de obras em Custodia, Sertânia, Floresta, Cabrobó e Salgueiro.
Todos os detalhes da visita presidencial serão divulgados no JC Online em tempo real, com cobertura multimídia no canal Cotidiano do portal e também no Blog de Jamildo.
A comitiva visitará seis trechos das obras e dormirá duas noites em acampamentos do Exército, no Sertão de Pernambuco. É a primeira vez que Dilma e Ciro estarão juntos como presidenciáveis no Estado. Isso ocorre em um momento que o candidato do PSB desponta na frente da ministra, em pesquisas de intenção de voto. E em um momento também muito delicado na relação PT-PSB. Os dois partidos divergem na estratégia para a sucessão presidencial e sobre o futuro político de Ciro. Enquanto o PT prega a candidatura única (de Dilma), o PSB aposta que Ciro no páreo aumenta as chances de vitória governista em 2010. Para completar, Ciro mudou, a contragosto dele e de uma ala petista, o domicílio eleitoral para São Paulo, caso precise acionar o plano B: trocar a disputa pelo Planalto e encarar a do governo paulista.
Anfitrião desta nova vista presidencial, o governador Eduardo Campos tem estimulado o projeto Ciro presidente, mesmo ciente de que Lula prefere todos com Dilma e contra um - possivelmente o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). No máximo, Ciro seria, nos planos de Lula, o vice na chapa de Dilma. Mas a vaga deve ficar mesmo com o PMDB. E com Ciro propagando publicamente que é sim candidato, o cenário, hoje, se desenha fora dos planos do comandante.
A expectativa em torno dos discursos dos principais atores destes três dias de viagem pelo Sertão é, portanto, natural. Ex-ministro da Integração Nacional e um dos principais articuladores e defensores do projeto de revitalização do São Francisco, Ciro pode ter direito a voz e vez. Já Dilma tem vaga garantida no rol dos que discursam nos eventos do presidente, sob o argumento de que é a “mãe do PAC”. O projeto da transposição está orçado em mais de R$ 6 bilhões e é um dos mais vultosos do Plano de Aceleração do Crescimento (para onde escoa a maior parte dos programas do governo). Uma das críticas mais contundentes da oposição, que julga o PAC eleitoreiro, é que tudo hoje tem o “dedo” desse plano. Além de tentar acelerar o projeto Dilma 2010, testando a popularidade da pupila, Lula quer mostrar que as obras estão andando, após paralisações decorrentes de fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) e outras polêmicas.
Nesta maratona, Lula também terá o palanque dividido em nível estadual. Na Bahia, disputam atenção presidencial o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), pré-candidato ao governo da Bahia, e o atual governador e candidato à reeleição, Jacques Wagner (PT). Integram a comitiva ainda os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente), Alfredo Nascimento (Transportes), Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Altemir Gregolin (Pesca), Sérgio Resende (Ciência e Tecnologia) e Franklin Martins (Comunicação Social).
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